03/01/2008 - Geral
- Em 1955 - Pe. Pio José Soldera, palotino, capelão do Colégio Marista Santa Maria, convidou jovens para uma excursão ao Chile para participar de um acampamento de Juventude. Em fins desse ano, mais ou menos em outubro, reuniu o grupo na Casa de Retiros para um Curso de preparação para a viagem. O tema foi o Ideal Pessoal.
- No dia 3 de janeiro de 1956, um Grupo de 7 rapazes, com o Pe. Pio, embarcamos ao Chile, via Uruguaiana, Buenos Aires e Santiago (viagem de trem), para um acampamento de quatro semanas…
Ao voltar do Chile, entusiasmados, encantados mesmo com o que havíamos visto na Juventude Schoenstatiana naquele País, todos começaram a trabalhar, buscando conquistar outros jovens. Em Santa Maria organizou-se um grupo de uns 12 jovens, que se reuniam semanalmente, na Casa de Retiros, com o P. Pio. Em Porto Alegre, onde já existia um grupinho, organizado pelo Pe. Vitor Trevisan, novos membros foram conquistados, totalizando cinco.
- Nos dias 5, 6, 7 e 8 de julho de 1956 realizamos o primeiro Encontro da Juventude Masculina do Rio Grande do Sul, chamado Primeiro Curso de Auto-Formação, com a participação de 29 jovens de Santa Maria, Porto Alegre e Livramento. A divisa do Encontro era:
“Sob a proteção de Maria queremos formar-nos caracteres fortes e livres!”
O programa foi organizado em conjunto com o P. Pio. Ele fez apenas a introdução, no 1º dia, sendo que os temas todos foram desenvolvidos e apresentados pelos jovens e debatidos em plenário.
O Encontro foi encerrado no dia 8 de julho pela manhã com missa e Consagração (Aliança de Amor) no Santuário. Foi a primeira consagração feita em comum e pode ser considerada como o documento de fundação da Juventude masculina no RS. Nela nos entregávamos a Mãe, propondo-nos a lutar pela salvação do Santuário (sob ameaça de ser fechado), através de contribuições ao Capital de Graças. Uma passagem diz: “Queremos ser fundadores, ser alicerces do Movimento Apostólico. Queremos ficar ocultos, desaparecidos para que vossa Obra triunfe, para que o Santuário seja glorificado”.
Foi enviada uma mensagem ao Pai e Fundador, assinada por todos, na qual dizíamos que o tínhamos presente e lhe prometíamos fidelidade.
Enfim, foi ofertada ao Santuário, como recordação do Encontro, uma patena.
Reinava muito entusiasmo. No final do ultimo dia, dia 7, porém, veio uma ducha de água fria: foi-nos comunicada a proibição do Movimento por parte do Sr. Bispo. Foi como uma bomba para nós, pois, muito inocentes nessas coisas, jamais pudéramos imaginar que dentro da Igreja se proibissem Movimentos religiosos e, sobretudo, um Movimento que se propunha a lutar pela renovação religiosa e moral.
Depois do Encontro continuou o trabalho, com reuniões semanais, mas nem todos compareciam. É que o P. Pio não podia mais participar, em virtude das proibições que o atingiram. Nós como leigos, nos reuníamos sozinhos, mas sempre com a máxima prudência a fim de não prejudicar mais a Obra. As reuniões aconteciam aos sábados à noite, num quarto da Casa de Retiros, por vezes com a presença do Ir. Jorge Schroeder. Após a reunião, até às 6 horas da manhã de domingo, fazíamos Adoração no Santuário, cada um uma hora. Isso continuou até a retirada do Santíssimo do Santuário. O Grupo de Porto Alegre autodenominou-se “revolucionários do silêncio”.
No segundo semestre de 1956 formou-se um grupo em Santana do Livramento, com 7 jovens. E no dia 2 de novembro do mesmo ano realizou-se um Encontro entre os grupos de Santa Maria e de Livramento, quando vieram 5 ou 6 daquela Cidade. Fomos passar o dia num lugar bem reservado, no interior do Município, acompanhados por um Irmão de Maria.
Ainda em 1956 foi criado o Jornalzinho “Trilha de Heróis”, como órgão de ligação: era mimeografado, sem data, sem indicação do local de impressão e cada um dos que escreviam usava um pseudônimo. Funcionou até 1963.
Planejamos um Acampamento para janeiro de 1957, em Santa Maria do Herval, situada no interior de Santa Cruz do Sul. Tudo era planejado no maior sigilo e poucos membros sabiam do local. Em dezembro, porém, tivemos que suspendê-lo, pois, no Bispado haviam tomado conhecimento do nosso projeto…
Em 1957 Padre Pio foi transferido para Passo Fundado.
Na Semana Santa de 1957, Padre Klein, que se encontrava em Santa Maria, deveria ministrar um Curso destinado a um grupo de jovens escolhidos, que eram os mais introduzidos dos diversos grupos e que seriam capazes de manter-se fechados. Como vieram alguns novos de Porto Alegre, trazidos pelo zelo apostólico do Atalíbio, não foi julgado prudente que o Pe. Klein se expusesse. Em seu lugar, trabalhou conosco o Ir.
Mário Hiriart (que ainda não era Irmão). Todos ficamos hospedados na casa dos Irmãos de Maria, mas as reuniões eram realizadas em locais reservados, escondidos, algumas ao ar livre no bosque atrás do Colégio Máximo Palotino, outras num quarto de pensão onde viviam alguns dos nossos e num quarto da casa de um dos nossos companheiros.
Em 20 de janeiro de 1957 foi criado o Grupo Dirigente, composto pelos 6 membros que se mostravam os mais responsáveis. Eram 4 de S. Maria (Delazzana, Kümmel, Edson e Olindo) e 2 de Porto Alegre (Atalíbio e Adroaldo). A seu lado continuavam funcionando os grupos dos quais aqueles eram os animadores.
Nos dias 27, 28 e 29 do mesmo ano tivemos um Retiro aberto (mais em foma de Curso), pregado pelo Pe. Pio, na Escola dos Irmãos de Maria, sobre o tema: “Fundadores de um Novo Reino”, do qual participaram os membros do Grupo Dirigente. Houve bastante debate e muito entusiasmo.
Em 1958, a partir do 2º semestre, começamos a ser orientados, por algum tempo, pelo Pe. Aquiles Rubin, que chegara da Europa (antes sempre nos ajudou o Ir. Mário Hiriart).
Em 18 de outubro do mesmo ano, realizou-se o casamento do Atalibio, que seria o primeiro casal saído da Juventude.
Planejou-se um Acampamento para o período de 26/12/58 a 10/01/59 em Joaçaba, Santa Catarina. Não se realizou porque poucos poderiam participar.
Em 1959 o primitivo Grupo de Santa Maria deixou de existir. Os dois jovens que restaram formamos com três novos um outro Grupo: Edson Domingues, Antoninho Muza Naime, Lauro Figueiredo, Potyguara Costa e Olindo.
Entretanto, em fevereiro de 1959, encontramo-nos, ocasionalmente, (providencialmente) em Porto Alegre: Atalíbio (que lá residia), Darcy Sari (que era professor em Dom Pedrito), Telmo (ex-colega do Colégio Santa Maria e que residia em São Pedro do Sul) e Olindo. Chamamos, por fonograma, o Antonio Bonini (de Rio Grande), que não pode vir, para uma reunião em casa do Atalíbio. Analisamos a situação e pensamos, então, na necessidade de, os mais velhos do Movimento, assumirem uma maior responsabilidade e sermos mesmo os responsáveis pelo futuro da Juventude Masculina Schoenstatiana Brasileira. Constituímos, para apoiar-nos mutuamente, um grupo que chamamos “Grupo Fundador”. Com objetivo de fundar esse Grupo marcamos um Encontro para julho, daquele ano em Santa Maria. O Grupo teria como orientador o P. Pio, embora à distância. Com efeito, reunimo-nos os 4 (Atalíbio, como casado só participaria na medida do possível e não veio nessa ocasião), na Casa de Retiros, nos dias 11 e 12 de julho, com a presença do P. Pio, a fim de realizarmos a fundação, para traçarmos um programa e as bases da nossa ação e vida em comum. O P. Pio, que nos deu uma palestra, destacou a Missão do 7 de Setembro, que deveria ser a nossa, baseada na conferência do Pai e Fundador em 7 de setembro de 1947, por ocasião do lançamento da pedra fundamental do Santuário. Tivemos, depois, uma palestra reservada, pois tudo era proibido, com a Ir. Terezinha. Adotamos, então, como lema: “Formar em nós o Novo Homem pela Aliança de Amor para realizar a missão do 7 de Setembro!”
Em 20 de fevereiro de 1960 realizamos um segundo Encontro sozinhos.
Nos dias 9 e 10 de fevereiro de 1963 realizamos o último Encontro, como Grupo, sob a orientação da Ir. Terezinha.
Concomitantemente, continuava-se trabalhando em Santa Maria com o nosso grupo dos 5 casais. Assim, de 6 a 10 de janeiro de 1960, realizou-se um Curso na Casa de Retiros, com palestras da Ir. Terezinha, Pe. Berlindo Iop e Ir. Eugênio Stumpp com a participação de novos e velhos espalhados pelo Estado, devendo comparecer também uma representação de Londrina, mas só veio o Dorival. O lema do Encontro era: “Queremos renovar-nos a nós mesmos e, como Instrumentos da Mãe do Santuário, lutar pela renovação da juventude masculina!”
Em 1960, ainda, o Antoninho foi transferido, por razões de trabalho, para Londrina.
Em fevereiro de 1961 realizamos um acampamento em Marcelino Ramos, com uns dez participantes, mais P. Berlindo e Ir. Eugênio. O acampamento estava programado para realizar-se em Ponta Grossa, onde nos encontraríamos com os jovens de Londrina. Ao chegarmos a Marcelino Ramos (divisa com Santa Catarina), os trens da Rede Paraná-Santa Catarina haviam entrado em greve. Lá acampamos, por conseguinte, junto ao Santuário de Nossa Senhora da Salete. Foi o primeiro acampamento brasileiro.
De 17 a 23 de dezembro de 1961 realizamos um acampamento em Vale Vêneto, com Ir. Eugênio. Só participamos em 4 do grupo: Lauro, Potyguara, Edson e Olindo.
Na Semana Santa de 1962, novo Curso na Casa de Retiros, com vários novos, orientado por Ir. Eugênio. Resultou daí um novo grupo ao qual se integrou o Artur Mirapalheta, que vinha de Rio Grande para trabalhar em Santa Maria.
Depois do acampamento de Vale Vêneto, Lauro, Potyguara e Edson passaram a fazer parte do Grupo Fundador.
Em 1963 houve vários casamentos: Edson, Lauro e Artur; Em 1964 casou o Potyguara e em 1965 o Olindo, de forma que, o único grupo de jovens a permanecer foi o surgido na Páscoa de 1962, que ficara sob a orientação do Ir. Eugênio.
Obra das Famílias - Da Juventude nasceu a Obra das Famílias. O primeiro grupo de casais constituiu-se em 16 de abril de 1965, uma Sexta-feira Santa, em reunião sob a orientação de Irmã Custódia, com a presença de quatro casais: Artur e Neusa Mirapalheta, Darcy e Marisa Sari , Telmo e Zita Teixeira, Olindo e Marilene Toaldo. Do grupo também participavam, embora não estando presentes no dia, Antoninho e Cáritas Naime e Atalíbio e Zilda Oliveira, ambos residentes em Porto Alegre. É importante salientar que este grupo fez sua Aliança de Amor, como Cooperadores da Liga das Famílias, em 20 de setembro de 1968, dia do sepultamento do nosso Pai e Fundador.
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